Vieste assim, vieste de passagem, sem ambição, sem brilho e sem vontade.
Na verdade era assim que pretendias que fosse, mas acabaste ficando. E eu aqui
perdida nesse vazio, nessa tua incerteza, numa fuga constante, a fugir da
perseguição compulsiva da minha mente. É irónico pensar que ainda ontem foste
juiz cruel da minha sentença, que me persegue e me atormenta, pela fuga do
ladrão que habita em mim, aquele que me inibe de sentir e me faz sentir débil a
cada segundo que passo na tua ausência.
Vivo assim, cobrando cada fragmento de vida, que me retrais, na esperança de em
breve me erguer e diminuir a febre de tatear e não sentir, a febre de
desistir.
Catarina Rodrigues
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