domingo, 26 de agosto de 2012

Vieste assim, vieste de passagem, sem ambição, sem brilho e sem vontade. Na verdade era assim que pretendias que fosse, mas acabaste ficando. E eu aqui perdida nesse vazio, nessa tua incerteza, numa fuga constante, a fugir da perseguição compulsiva da minha mente. É irónico pensar que ainda ontem foste juiz cruel da minha sentença, que me persegue e me atormenta, pela fuga do ladrão que habita em mim, aquele que me inibe de sentir e me faz sentir débil a cada segundo que passo na tua ausência.
Vivo assim, cobrando cada fragmento de vida, que me retrais, na esperança de em breve me erguer e diminuir a febre de tatear e não sentir, a febre de desistir.


Catarina Rodrigues

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